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Uma referência legal e acessível

Uma referência legal e acessível

Como publicitários, nós estamos sempre procurando referências. Na maioria das vezes, essas referências são as grandes campanhas, que saem em sites de publicidade e ganham prêmio. E, geralmente, são trabalhos de grandes agências para grandes marcas de atuação nacional ou mundial, com verbas milionárias.

Claro que é ótimo ver essas referências. A questão é que pode ser um pouco difícil adaptar os ensinamentos para a sua realidade, com clientes locais e verbas muito menores. Ou segmentos que não tem tanta campanha legal, como cervejas, carros ou produtos de beleza. Como é o meu caso, cuidando da conta de um escritório de contabilidade em Curitiba.

Por isso, é ótimo quando a gente encontra referências como essa, que me motivou a escrever esse post. Um escritório de contabilidade em Curitiba - assim como a conta que eu cuido! - com um filme super legal no YouTube.

Para quem está acostumado a pegar referências apenas de Cannes esse filme pode nem parecer tão interessante. Mas vamos olhar pelo outro lado e ver o copo meio cheio.

É uma contabilidade. De Curitiba. Que não deve ter tanta verba para investir. De novo: é uma contabilidade. A maioria das empresas do segmento mal se comunica. Quem dirá fazer um filme, com um posicionamento claro pra marca, roteiro bom e imagens bonitas (de banco, provavelmente, mas bonitas).

Olhar dessa maneira não é nivelar por baixo. Os caras realmente foram além do lugar-comum e merecem os parabéns por isso. A primeira referência que podemos tirar desse filme é que é possível fazer boa propaganda com quase qualquer cliente. Já vi muita gente criar para cliente pequeno e local com preguiça, sonhando em criar pra cliente grande e nacional. Dá pra criar coisa legal pra cliente pequeno e local. Num segmento chato pra caramba, como contabilidade. A desculpa do aleijado é a muleta.

E é ótimo ver referências assim, de marcas como a nossa, porque fica muito mais fácil transportar pra nossa realidade. Tudo bem que eles devem ter mais grana do que a maioria dos escritórios de contabilidade para investir. E os clientes devem ser mais abertos para as ideias da agência, para toparem fazer isso. Mas eles não são nenhuma marca de cerveja ou montadora de carro, com verba milionária e departamento de marketing organizado. Com um pouquinho de (ou muito, talvez) esforço, a gente consegue cavar essa verba e essa abertura com qualquer um dos nossos clientes. Mas é possível? É possível.

E por que eu acho que esse filme é uma referência legal? Olha esse roteiro! Os caras passaram um minuto sem falar uma palavra sobre contabilidade. Tudo focado em construir relações entre marca e cliente. A gente sabe que emoção é muito mais poderosa que a razão para construir marcas. A gente fala de Human Brands e Love Marks há uns 10 anos (ou mais, eu que to na publicidade há oito anos, apenas, e não sei o que falavam antes de eu chegar) e tá careca de ver filme lindo e emocional em marca grande, de bem de consumo.

Mas os caras conseguiram usar a emoção em um segmento racional como a contabilidade. Encontraram a brecha certa dentro do segmento para enfiar emoção: os desafios do empreendedor incompreendido. Depois disso, foi só fazer a festa: o texto é legal, as imagens são bonitas, tudo encaixa. No final, até eu que não tenho empresa to querendo contratar os caras. Eu que cuido da conta de um concorrente deles.

Outra coisa legal do filme é ver como o posicionamento da marca fica extremamente claro. Vendo esse filme, você consegue descrever quem é a Escrilex, sabe exatamente o que esperar deles. Eles são uma contabilidade parceira do empreendedor. Ponto final. Claro que, como planner, eu fico curioso para saber se teve algum planejamento para chegar nesse posicionamento ou se o foco da campanha foi direto no roteiro. De qualquer maneira, é um posicionamento claro e que funciona. Quanto a isso, só tenho elogios. Quem disse que um cliente com esse perfil - B2B, pequeno, local, etc - não pode ter um posicionamento de marca claro e interessante?

Podemos transportar esse pensamento para todos os outros clientes pequenos, de serviço, que temos nas agências daqui: escritórios de advogados, de arquitetura, clínicas, lojas de bairro, salões de cabeleireiro, imobiliárias... Será que não dá pra falar de imobiliária sem ficar apenas vendendo apartamento? Falar de loja de calçado sem ficar só mostrando os calçados? Os caras fizeram um roteiro de um minuto para um escritório de contabilidade sem falar uma palavra sobre contabilidade! Eu nunca trabalhei com imobiliária... mas se eu tivesse uma aqui na agência, ia pelo menos tentar.

E isso é o que mais me fez querer escrever sobre esse filme. É uma referência local! De um cliente como o que a gente atende nas agências pequenas daqui. Dá pra fazer boa propaganda sem ir pra São Paulo e atender conta grande!

Em tempo: já que eu contei o milagre, vale contar quem é o santo. O filme é da Bolder, de Curitiba. Não sei se esse humilde texto vai chegar até os caras, mas se chegar: meus parabéns, pessoal!

Redhook
Evandro Voltolini
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Apaixonado por planejamento desde o primeiro ano da faculdade, comecei a trabalhar na área em 2013. Com passagens por agências como CCZ e Getz, atualmente estou na Motion Publicidade. Também amo escrever e to tentando juntar essas duas paixões aqui.

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